sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O QUE LHE DESEJAR?


A família reunida,
Todas as brigas esquecidas,
Comida na despensa,
A campanhia tocando,
Rostos amigos,
Pacotes se empilhando,
Cartões de todos os que amamos,
Nada esquecido,
Na cozinha, nada queimado,
Risos, todos um pouco bobos,
Abraços, beijos,
Lembranças felizes.
Desejo de todo meu coração
que seu Natal seja tudo que
você gostaria que fosse - uma
sugestão de neve em meio ao calor,
uma luz na escuridão.




(  Charlotte Gray, 1957)                          


Blog Destac





Foi com muita alegria que recebi um lindo selinho do blog http://www.magiagifs.com.br/
pela indicação do meu blog como destaque esta semana. Agradeço o presente de Natal e sinto-me honrada
em figurar como destaque no lindo espaço do Magia gifs.
Amigas , obrigada pelo presente e desejo-lhes um Natal iluminado e um ano novo repleto de bênçãos.
Que o lindo espaço de vocês continue produzindo frutos de alegria e amizade. Um beijo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DECIDI...


E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde.
Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de"amigo".
Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".
Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar.

Walt Disney ( 1901 - 1966)

sábado, 12 de dezembro de 2009

SONHO IMPOSSÍVEL




/
Sonhar,
Mais um sonho impossível;
Lutar,
Quando é fácil ceder;
Vencer,
O inimigo invencível;
Negar,
Quando a regra é vender
Sofrer,
A tortura implacável;
Romper,
A incabível prisão;
Voar,
Num limite improvável;
Tocar,
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão,
Virar esse mundo,
Cravar esse chão
Não me importa saber,
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão,
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for,
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão.


Composição: Joe Darion, Mitch Leigh (versão em português de Chico Buarque)

SELINHO COMPARTILHAR


Ganhei esse lindo selinho da minha amiga, Padma, do blog "Luz da Alma"
http://padmashanti.blogspot.com/

Regras:
1- Copiar o selinho no seu blog
2- Deixar um comentário no Blog do amigo que te indicou
3- Linkar o amigo que te indicou
4- Indicar 10 blogs que você acha que compartilha tudo com todos
5- Deixar uma mensagem explicando o que é compartilhar:
 " Compartilhar é somar sentimentos, emoções, experiências, sonhos e esperanças."

Para esse selinho , indico os blogs:
http://silnunesprof.blogspot.com/
http://www.vendenafarmacia.com/
http://pcotaveira.blogspot.com/
http://criatividadeenostalgia.blogspot.com/
http://cantinhodalumad.blogspot.com/
http://lisanunes.blogspot.com/
http://butterflyle.blogspot.com/
http://expiracaoeinspiracao.blogspot.com/
http://ttathy.blogspot.com/
http://mamyrene.blogspot.com/

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

TALVEZ...


"Talvez eu venha a envelhecer rápido demais, mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena;
Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida, mas farei que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei;
Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais, mas jamais irei me considerar um derrotado;
Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda, mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão;
Talvez um dia o sol deixe de brilhar, mas então irei me banhar na chuva;
Talvez um dia eu sofra alguma injustiça, mas jamais irei assumir o papel de vítima;
Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos, mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderão em minha direção;
Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas, mas não terei vergonha por esse gesto;
Talvez eu seja enganado inúmeras vezes, mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha confiança;
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros, mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho;
Talvez com o decorrer dos anos eu perca grandes amizades, mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos;
Talvez algumas pessoas queiram o meu mal, mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar;
Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música, mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos;
Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris, mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração;
Talvez hoje eu me sinta fraco, mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente;
Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias, mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma;
Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música, mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo;
Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações, mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas;
Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira, mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo;
Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser, mas passarei a admirar quem sou.Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor;
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado: “ainda não chegou o fim”. Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza de que a minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia."
 
 Aristóteles Onassis ( 1906 - 1975)

domingo, 6 de dezembro de 2009

DÉJÀ VU



Hoje, decidi pintar de vermelho
minha boca, minhas unhas, meu desejo
Que é para você voltar,
Para encantar-se novamente
pela mulher que hoje eu sou.
Sombra da que fui; tênue lembrança
da mulher que amastes, mas, ainda,
a mulher que tanto e
tantas vezes te amou


Espalharemos pelo chão
nossas velhas fotografias;
nossas cartas de um amor
jovem e despudorado;
pequenas lembranças amareladas
e guardadas em caixas de sapatos:
a primeira rosa que me destes( roubada);
o lenço de papel sujo
de batom( daquele beijo dado escondido);
um botão de madrepérola
(da blusa que eu tanto gostava
e que naquela noite urgente arrancastes);
São miudezas da grandeza desse antigo amor


Espalharei velas pela sala,
Afinal não precisaremos enxergar
tão bem o rosto que conhecemos
e reconhecemos tantas vezes;
A música ouvida é a mesma
que embalou nossas noites
de risos cristalinos, corpos colados
e almas livres e cheias de esperança
E depois que o vinho, lentamente
começar a embalar nossos corpos
cansados,iremos de mãos dadas
pelo corredor longo e estreito
e o dia nos encontrará mais
uma vez, uma última vez, assim,
abraçados sobre o leito.

( Nereida Coelho)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

VIA LÁCTEA






Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto


E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "


E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas

Olavo Bilac ( 1865- 1918)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

FANATISMO



Quero te sentir na relva úmida;
Quero te amar com intensidade
Despedaçar-te com humildade
E arrancar de ti toda a verdade.
Quero te refazer a todo instante
Remexendo em tudo que é restante:
Papelada, carta ou retrato autografado.
Quero fazer todo lugar em ninho;
Todo lugar que tenha cheiro de guardado,
Cheiro de barro molhado,
Cheiro de coisa nova.
Quero a todo o momento repassar os momentos
Passados a todo instante: na cama, na relva, na varanda.
Quero ter a mesma ansiedade,
a antiga ansiedade do primeiro dia de aula,
E que a cada dia seja uma matéria diferente,
Baseada na velha matéria ,
Da casquinha de sorvete;
Barro com cheiro de molhado;
Coisa com cheiro de nova.

(Nereida Coelho)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Selinho-presente - Declaração de afeto




Esse selinho me foi presenteado por Padma Shanti do blog
Obrigada, Padma por oferecer-me seu afeto e amizade! Eu os recebo de coração aberto e grato!


Escolherei dez amigos para declarar a minha amizade e os nomearei num post.
Cada um deverá nomear até 10, e assim sucessivamente.Não há selos ou prêmios, apenas
a declaração de afeto. Declaro meu afeto aos amigos (as):

http://silnunesprof.blogspot.com/
http://anninhadoleonardo.blogspot.com/

http://butterflyle.blogspot.com/

http://lisanunes.blogspot.com/

http://cantinhodalumad.blogspot.com/

http://vendoesentindo.blogspot.com/

http://mamyrene.blogspot.com/

http://wallperlima.blogspot.com/

http://todagarotatemqueter.blogspot.com/

http://criatividadeenostalgia.blogspot.com/



                      

domingo, 29 de novembro de 2009

DAR TUDO


                          
Eu mendigava de porta em porta, pelo caminho da aldeia, quando teu carro de ouro surgiu à distância e parecia um sonho esplêndido. Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis.
                           Minhas esperanças subiram ao céu. Eu pensava: "Terminaram meus dias nefastos." E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.
                          O carro parou onde eu estava. Tu me olhastes e descestes sorrindo. Senti que, afinal, chegara o dia da minha felicidade. E, de repente, estendeste-me a mão direita, perguntando:
                          _ "Que tens para mim?".
                         Ah! Teu capricho real de estender a mão a um mendigo! Confuso, perplexo, meti a mão na sacola e , devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que te ofereci.
                        Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa. Esvaziando minha sacola, vi um grão de ouro entre os de trigo.

                        Chorei lágrimas amargas e, lamentando-me dizia: "Por que não dei tudo a ele?"


Rabindranath Tagore ( 1861-1941)
Prêmio Nobel de Literatura em 1913
in "Obras Selecionadas": "Gitanjali" n.50

sábado, 28 de novembro de 2009

QUEM É O SENHOR?


O filósofo alemão Schopenhauer caminhava por uma rua de Dresden, procurando respostas para questões que o angustiavam. De repente, viu um jardim, e resolveu ficar horas seguidas olhando as flores. Um dos vizinhos notou o comportamento estranho daquele homem, e chamou a Guarda Civil. Minutos depois, um policial se aproximava de Shopenhauer.
_ Quem é o senhor? _ perguntou o policial, com voz dura.
Shopenhauer olhou de alto a baixo o homem à sua frente:
_ Se o senhor souber responder esta pergunta _ disse o filósofo _ eu lhe serei eternamente grato.

(  Texto extraído do livro " Maktub" )

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"SIM, VIRGÍNIA, PAPAI NOEL EXISTE ! "





                                 No Natal de 1897,  uma garotinha de 8 anos, chamada Virgínia O`Hanlon Douglas, filha de um médico de Nova York, nos Estados Unidos enviou uma carta para o jornal “The Sun” com a
seguinte pergunta:
                               -  “Papai Noel existe?”
                               O jornal através do editorialista Francis Church respondeu e publicou a carta. Foi um sucesso tão grande que o “The Sun” a publicou durante anos, sempre na época do Natal, até seu último número em 1949. O fato repercutiu na imprensa mundial, virou livro com record de vendas nos Estados Unidos.  Ei-la aqui, para encantá-los!
                 
                           " Nós temos o prazer de responder à carta abaixo, expressando ao mesmo tempo nossa gratidão por sua autora estar entre os leitores fiéis do The Sun."

CARTA DE VIRGÍNIA


"Eu tenho 8 anos. Alguns dos meus amiguinhos dizem que Papai Noel não existe. Meu pai sempre diz, “se estiver no "Sun”, então existe!”. Por favor, diga-me a verdade: Papai Noel existe?"
                                                            Virgínia O`Hanlon Douglas    

                      "Virginia, seus amiguinhos estão errados. Eles têm sido afetados pelo ceticismo de uma era marcada pela descrença das pessoas.
                       Eles não acreditam no que não vêem. Eles não acreditam no que suas pequenas mentes não podem entender. Todas as mentes Virginia, são pequenas, não importa se são de crianças ou de adultos.
                      Neste nosso grande universo, o homem é um mero inseto, uma formiga, quando seu cérebro é comparado com o infinito mundo ao seu redor, ou quando ele é medido pela inteligência capaz de absorver toda a verdade e conhecimento.
                     Sim, Virginia, existe Papai Noel.
                     É tão certo que ele exista como existe o amor, a generosidade e a devoção, e você sabe que tudo isso existe em abundância para dar mais beleza e alegria a nossas vidas.
                   Ah! Como o mundo seria sombrio se Papai Noel não existisse! Seria tão triste como se não existissem Virgínias. Não haveria então, a fé das crianças, a poesia, nenhum romance que tornasse tolerável a existência. Nós não teríamos nenhuma felicidade, exceto em nossos sentidos. A luz acesa com a qual as crianças enchem o mundo estaria apagada.
                  Não acreditar em Papai Noel! É como não acreditar nas fadas.
                  Pode convencer o seu papai a contratar homens para ficarem vigiando todas as chaminés, na véspera de Natal, para eles pegarem o Papai Noel, mas mesmo que els não vejam o velhinho descendo, o que isso prova?
                  Ninguém vê Papai Noel, mas isso não significa que Papai Noel não exista!
                  As coisas mais reais do mundo são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver.
                  Você já viu fadinhas dançando no gramado? É claro que não! Mas isso não prova de que elas não estejam lá. Ninguém pode conceber, ou imaginar todas as maravilhas que existem, invisíveis e despercebidas, neste mundo.
                   Sim, Virgínia, Papai Noel existe!"


Francis P. Church ( 1839-1902)
de The New York Sun, 21 de setembro de 1897    

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Selinhos - Presentes

Este lindo selinho me foi presenteado pela amiga de "sal e mar" Thaty, do blog

http://ttathy.blogspot.com/
                    
Obrigada Thaty pelo carinho e pelo mimo!





Este selinho foi presente do meu amigo JC, do blog



As regras para esse selinho são estas:

Escolho dez amigos para declarar a minha amizade e os nomeio num post.
Em seguida visito os seus blogs e comunico a nomeação.
Cada um deverá nomear mais dez, e assim sucessivamente.
Não há prêmios, apenas a nossa declaração sincera de afeto.
Quer prêmio melhor que esse?

Pedindo porém desculpas ao meu amigo Jc, dessa vez, vou quebrar as regras
 e oferecer  este selinho a todos os amigos que , aqui, partilham e compartilham , comigo suas idéias, comentários, textos , sugestões e que me "salvam" , tantas vezes  da minha ignorância de como postar imagens e melhorar o meu blog!
Amigos, este selinho é um presente para todos! Quem ,porém desejar presentear  de outra forma , aí estão as regrinhas. Obrigada JC!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"O BONECO DE SAL"


                    

   Existe uma história budista que fala de um boneco de sal, que ouvira falar, lá nos fundões do seu ignoto país,  da imensidão do mar. Curioso, excitado, o boneco quis ver pessoalmente se o mar era tão maravilhoso quanto o pintavam e tão grande quanto o descreviam. Houve até quem tentasse desestimulá-lo da aventura, mas em vão. Decidido, um dia, largou - diz a história - sua terrinha, e, entre quixotesco e desconfiado, partiu em busca do desconhecido .
                            Muitos dias depois, quando o sol já começava a espreguiçar-se, ei-lo plantado, de olhos arregalados e alma lavada, diante do mar; do grande mar!
                             A um primeiro momento, meio escabreado, ficou a distância, medindo aquela amplidão quase sem limites e olhando de soslaio, meio assustado, para o estridor das ondas a desfazerem-se em espumas branquinhas na preguiça da areia. Depois, ainda precavido, mas já com a curiosidade acordada, foi-se achegando devagarinho para mais perto, tão perto que uma onda deu-lhe uma lambida no pé, deixando-lhe a impressão de lhe te roubado alguma coisa. Doeu , mas, ao mesmo tempo, experimentou uma estranha sensação que lhe aumentou a excitação, empurrando-o mais para dentro, para o seio daquele mar imenso, de águas moles e mistérios profundos. Isto foi o fim que não queria e um novo começo pelo qual não esperava.
                            Fascinado, e sem se dar conta de que o mar ia-lhe comendo, a cada abraço de novas ondas, um novo pedaço de seu corpo de boneco de sal, foi se adentrando e, diz a história, que começou a entender, a cada passo que dava, que não haveria mais retorno. Sua comunhão com o mar foi se tornando tão estreita e tanta que, de repente, já  não sabia distinguir quem era quem, onde começava ele mesmo e onde terminava o mar. As coisas pareciam embaralhar-se em sua cabeça, ao mesmo tempo em que se sentia bem e feliz. E , antes que uma última onda o engolisse de vez e o fizesse mar para sempre, ainda teve tempo de exclamar, esquecido de sua terra, de suas curiosidades e de si mesmo: "Oh, grande e maravilhoso mar! Meu Deus, o mar não serei eu?"


(extraído do livro "Graça sobre Graça ", de Neylor J. Tonin


"Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: está em nossas lágrimas e no mar..." ( Gibran)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O LOUCO




"Perguntais como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."

Gibran Kalil Gibran (1883 - 1931)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

SONETO DA SEPARAÇÃO



De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


(  Vinícius de Morais, Antologia Poética)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Selecionado pelo VEJABLOG





Queridos amigos, para minha grande alegria e surpresa "Onde o tempo não pára..." foi selecionado pelo site
http://www.vejablog.com.br/  como um dos melhores blogs do Brasil! Muito me deixou honrada e lisonjeada essa indicação e  gostaria de compartilhar esta alegria com todos vocês que tanto incentivo têm me dado através dos seus comentários, selinhos e outras tantas contribuições. Obrigada a todos. Obrigada equipe do Vejablog.    Grande abraço, Nereida

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ATENÇÃO



Amigos, meu blog , desde ontem, apresenta uma estranha mensagem de "site desativado ou expirado". Não sei do que se trata, porém não consigo postar absolutamente nada nele. Hoje, para conseguir postar essa informação, tive que seguir um caminho meio"tortuoso".
 Alguém sabe  informar se isso é uma indicação de que ele foi corrompido?

Se algum de vocês souber como corrigir o problema , por favor ensine-me. O meu email é: nereidadecor@gmail.com
Grande abraço,
                           Nereida

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

HOMENAGEM A ALGUÉM RENDIDO



De repente... o gesto , o olhar, a voz ,transpassaram a barreira da sua timidez;
Na sua mão surgiu a tua carta de alforria, que te fez meu escravo. Livre.
Minha cabeça rachou, no mesmo canto onde a tua se partiu
E colocamos nelas, nossas vontades mais dengosas, nossos
desejos mais ardentes, nosso lado menos poluído
Eu te emprestei, apenas por um momento, que vim mais tarde,
a saber eterno, meu amor
E tu, em prol do meu presente, retrataste um sorriso
fabuloso, que jamais ficará nebuloso em minha mente
E numa troca de rápidos resíduos de nossa inocência,
Ficou a certeza do meu olhar, jamais empoeirado pelos teus
passos na tua estrada, nem seu sorriso,
(nesse momento, parado num dos lados da boca)
num canto qualquer da minha cuca rachada
Nesse momento mágico de total desligamento, ficou
uma velha carta de alforria esquecida entre alguns dedos
E uma mão perdida no ar, tentando alcançá-la.
Desesperadamente.

( Nereida Coelho)

sábado, 14 de novembro de 2009

FUMO



" Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias de calor, beirais sem ninhos!


Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinho!


Os dias são outonos: choram... choram...
Há crisâtemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...


Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!..."



Florbela Espanca ( 08/12/1894 - 8/12/1930)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CONVITE


"Beijemo-nos, abracemo-nos, de corações uníssonos, nós que somos humanos!
Tanto quanto a temperatura da terra nos permita, enquanto não
 tenhamos sido exterminados  pelos terremoros, os dilúvios, as avalanches e
os cometas! Criemos um cérebro e um coração para a terra.
Criemos, atribuamos o sentido humano ao inumano combate!"

Nikos Kazantzakis
Autor de "Zorba, o Grego".

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A DANÇA



"Eu louvo a dança, pois ela liberta as pessoas do peso das coisas, unindo
os dispersos em comunidade.
Eu louvo a dança que requer muito empenho, que fortalece
a saúde, o espírito iluminado e transmite uma alma alada.
Dança é mudança do espaço, do tempo, do perigo contínuo de
dissolver-se e torna-se somente cerébro, vontade ou sentimentos.
A dança requer o homem libertado, ondulando
no equilíbrio das coisas. Por isto, eu louvo a dança.
A dança exige o homem todo, ancorado em seu centro,
para que não se torne, pelos desejos desregrados,
possesso de pessoas e coisas, e arrancando-o da demonia de
viver trancado em si mesmo.
Ó homem, aprende a dançar! Caso contrário os anjos
do céu não saberão o que fazer contigo."


Santo Agostinho (354-430)
Bispo e Doutor da Igreja

PS:
Amigos, impossível não postar tão lindo comentário de nossa amiga Priscila, do blog http://pcotaveira.blogspot.com/ . Aliás, chamar de comentário chega a ser heresia, o que na verdade, é Poesia. Sim, Poesia com "P" maiúsculo. Obrigada, Priscila por ornamentar tão belamente  o que seria só um simples post.

Nereida. Dança é expressão exprimida por ti 'onde o tempo não pára. Desliza suave, macio e suspira'. A combinação de notas e acordes que vão se acasalando numa valsa harmoniosa. E unimo-nos. O cheiro no momento é capturado em pele de entrega e a transformação nada podendo resistir, pois é aí que se autopsicografa em areia macia sob os pés. Toda vez ecoada cenas, reescreve diálogos. Canta fôlego de desenho em fita e o bilhete partiturado nos passos, desliza brilhar o neon de promessas não apagas. O vento conversa, tudo é prazer sem forma, pois é inteireza. O compor duma tatuagem perfeita e nos descola quando em todas as fases as letras formam nuvens no céu azul enquanto é esquadrinhado na alma a canção da hora marcada do desde amanhecer até o pô-do-sol. E assim, silêncio nas curvas a palavra que saliva a vida.
Abraços e paz


Priscila Cáliga

sábado, 7 de novembro de 2009

9 de novembro de 1989 - 20 anos da queda do Muro de Berlim



Construção do Muro de Berlim em iniciada na madrugada de 13 de Agosto de 1961.
Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim, ex-capital do Reich alemão, com mais de três milhões de pessoas, padeceu uma experiência ímpar na história moderna: viu a cidade ser dividida por um imenso muro. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que cortou-a em duas partes, cada uma delas governada por regimes politicos ideologicamente inimigos. Abominação provocada pela guerra fria, a grosseira parede foi durante aqueles anos todos o símbolo da rivalidade entre Leste e Oeste, e, também, um atestado do fracasso do socialismo real em manter-se como um sistema atraente para a maioria da população alemã.

 IMAGINE                                      
"Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu                           

Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
 Talvez você diga que
eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia
você se junte a nós                                                                                                     
E o mundo, então, será como um só                                                           
Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse                                   
Sem necessidades e fome
Os homens vivendo como irmãos
 Imagine todas as pessoas
 Compartilhando o mundo
 Você pode dizer
 Que eu sou um sonhador
 Mas não sou o único
 Desejo que um dia
 Você se junte a nós
 E o mundo, então, será como um só "

( John Lennon)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Conta de dividir

Essa linda e singela história,  nos foi contada pelo amigo  Carlos Albuquerque, do blog
http://conversasdaquiedali.blogspot.com/
Não resisti a reproduzi-la aqui, com a sua devida autorização , é claro! 
Que essa bela história toque os seus corações, assim como tocou o meu.

          


"Foi na primária, na Escola 8, ali como quem vai para o Bairro Miramar, em Luanda, que aprendi as contas. Ensinou-mas o velho e sábio Professor Cardoso. Já não está entre nós, mas tenho-o bem vivo na minha memória. Olá, Senhor Professor!
Dizia-nos ele: somar é ter mais; diminuir ficar com menos; multiplicar é amontoar; dividir, o mesmo que compartilhar ou repartir. Tudo isto ia exemplificando, a giz branco, no negro da ardósia do quadro. A conta de que ele mais gostava era a de dividir.
Deixava o quadro, caminhava entre as filas de carteiras e ia dizendo: «há alunos que trazem duas laranjas, duas bananas, ou dois pães para o lanche, e outros não, porque os pais não têm dessas coisas em casa para lhes darem. Os que isso trazem podem dividir com o companheiro de carteira (éramos dois, em cada uma), que nada trouxe. Já sabem que dividir dois por dois dá um. Assim, cada um fica com uma laranja, uma banana e um pão. O resto é zero, e como é zero, nada fica, nada se estraga”
Passámos a fazer aquelas contas. Nas minhas não aparecia resto zero. O que via no lugar do zero era outra palavra, um pouco maior – amigos!
As bananas, laranjas e pães repartidos deixaram-me um sabor para toda a vida: o gosto pela conta de dividir.

Obrigado Professor!"

( Carlos Albuquerque)




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