Eu mendigava de porta em porta, pelo caminho da aldeia, quando teu carro de ouro surgiu à distância e parecia um sonho esplêndido. Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis.
Minhas esperanças subiram ao céu. Eu pensava: "Terminaram meus dias nefastos." E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia.
O carro parou onde eu estava. Tu me olhastes e descestes sorrindo. Senti que, afinal, chegara o dia da minha felicidade. E, de repente, estendeste-me a mão direita, perguntando:
_ "Que tens para mim?".
Ah! Teu capricho real de estender a mão a um mendigo! Confuso, perplexo, meti a mão na sacola e , devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que te ofereci.
Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa. Esvaziando minha sacola, vi um grão de ouro entre os de trigo.
Chorei lágrimas amargas e, lamentando-me dizia: "Por que não dei tudo a ele?"
Prêmio Nobel de Literatura em 1913
in "Obras Selecionadas": "Gitanjali" n.50

