sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sem fundos




Há um abismo no fundo de mim mesma
Um poço sem fundo onde minhas emoções e
Desejos são arremessados
Vestidos , ainda, com a túnica
Da vergonha e da covardia , sem fim
Nele me escondo
Quando algo do meu rosto, meu verdadeiro rosto

Aproxima-se
Ameaçando meu lugar
De única testemunha, dessa face
Sem malícias, sem pinturas
Meus gritos calam-se
Nesse abismo
Minhas revoltas ecoam nele
Apenas ecoam
Não conseguem transpassar minha garganta
Para no meu mundo se perder
Quando a saudade o meu ser invade
As lembranças,
É nele que irei buscar
Emergirão, ainda, inteiras
Conservadas, independentes
Do tempo , da intensidade
Gostaria de abater esse abismo
E jogar fora
Todas as emoções nele armazenadas
E limpa, sem idéias, lembranças,
Emoções
Recomeçar a construir tudo de novo
Mas, mais leve, pura,
E principalmente destituída
De saudade
Só eu
Meu verdadeiro eu
Sem fundos


 Nereida Coelho-

2 comentários:

Cartas a Archimedes disse...

O que não se diz,
o que não se fala,
dentro não cala....

Na solidão, nos vazios introspectivos,
o coração vem à tona...
Manifesta-se, rola
tal qual seixo na correnteza,
e se expressa sem rodeios,
sem subterfugios,
direto: sem freios, sem mordaças!!!!

kira disse...

MUITO INTERESSANTE. VOU LER MAIS.
OBRIGADO.

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